A Covid-19 parou o mundo, menos a indústria farmacêutica

A Covid-19 parou o mundo, menos a indústria farmacêutica

O artigo assinado pela presidente-executiva da INTERFARMA, Elizabeth de Carvalhaes, intitulado “A Covid-19 parou o mundo, menos a indústria farmacêutica” ressalta os esforços do setor de inovação em saúde na corrida contra o novo coronavírus no Brasil e no mundo. Além de mostrar a relevância do setor farmacêutico neste momento de crise mundial na saúde, o texto visa retratar os desafios e a agilidade dos laboratórios e de seus profissionais no combate à Covid-19. 

O artigo engloba desde o foco na produção de medicamentos para manter o abastecimento do mercado local até a corrida contra o tempo na busca da cura, reforçando a importância dos investimentos em pesquisas clínicas, cientistas e pesquisadores. O texto foi publicado na última quinta-feira, dia 30 de abril, simultaneamente, na Revista Up Pharma e no portal Saúde Business. Confira a seguir, o texto na íntegra.

A Covid-19 parou o mundo, menos a indústria farmacêutica
Por Elizabeth de Carvalhaes, presidente-executiva da INTERFARMA

A humanidade está passando por um dos piores momentos na saúde dos últimos tempos em função da Covid-19, doença que teria surgido na cidade de Wuhan (China) em dezembro de 2019, atravessou fronteiras e, em alguns meses, já devastou o mundo com milhares de vítimas.

No Brasil, não está sendo diferente. O número de infectados e vítimas fatais cresce a cada dia. O grande desafio é conter a disseminação do vírus, altamente contagioso e, principalmente, com alta taxa de mortalidade, o que gera uma expectativa de agravamento exponencial para os próximos meses. O País, seguindo a tendência mundial, parou.

Na contramão, a indústria farmacêutica entrou numa verdadeira corrida contra o tempo na busca pelo tratamento e cura da Covid-19. Desde os primeiros rumores sobre a chegada do novo Coronavírus, este setor, tanto no Brasil quanto no mundo, se organizou para enfrentar os desafios que estavam por vir e aumentou a sua atuação. Desde então, não parou mais.

Globalmente, o setor farmacêutico tem protagonizado iniciativas essenciais no combate e tratamento à Covid-19, por meio de parcerias com governos e organizações internacionais, doações de medicamentos e outras ações focadas no paciente e na contenção do vírus. Além disso, a indústria tem concentrado esforços em pesquisas por alternativas terapêuticas inovadoras, em medicamentos, vacinas e diagnóstico. Mas para chegar a um tratamento ou à cura de fato, inúmeras pesquisas clínicas ainda precisam ser realizadas.

Atualmente, o site do governo federal dos Estados Unidos que reúne todos os ensaios clínicos em andamento, o Clinical Trials, registra que existem no mundo 465 pesquisas1 relacionadas ao novo Coronavírus. A maioria está concentrada na América do Norte, com 140 pesquisas, seguida da Europa e Ásia, com 128 e 76 estudos, respectivamente.

O Brasil registra 10 pesquisas clínicas em curso e tivemos ainda a contribuição de duas pesquisadoras brasileiras. Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP, e Jaqueline Góes de Jesus, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP, que se tornaram mundialmente conhecidas por terem descoberto, em 48 horas, o sequenciamento genético do novo Coronavírus.

Diante do número expressivo de vítimas, o total de pesquisas clínicas relacionadas à Covid-19 pode parecer insignificante. Mas quando comparado ao volume de pesquisadores, médicos e cientistas envolvidos e o tempo que se leva para encontrar uma alternativa e aprovar um protocolo para a realização de estudos clínicos, o cenário muda completamente.

Para efeito de comparação, o volume de pesquisas no mundo passou de 157 para 465 em pouco mais de um mês e os Estados Unidos, um dos países mais ágeis, levam, em média, 30 dias para aprovar um protocolo de pesquisa clínica. Portanto, estes números comprovam que em pouco tempo dezenas de laboratórios farmacêuticos direcionaram seus esforços para a pesquisa e desenvolvimento de um novo medicamento no combate à Covid-19, sem perder o foco na produção dos tratamentos já existentes, garantindo o acesso a medicamentos pela população.

No Brasil, embora o País tenha cientistas altamente capacitados, e seja atraente à pesquisa por suas dimensões continentais e diversidade étnica, ainda existem entraves processuais que prejudicam a realização de estudos clínicos.

Por outro lado, as indústrias farmacêuticas associadas à Interfarma continuam trabalhando ativamente, tanto para garantir o abastecimento de medicamentos quanto em parcerias e diálogos constantes com o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a segurança e bem-estar dos brasileiros.

Independentemente dos esforços e desafios, o maior resultado virá da união da população, em reconhecer a sua responsabilidade neste momento de crise e colaborar. Sobretudo, em respeito e agradecimento às autoridades e profissionais de saúde, que estão trabalhando ininterruptamente para a segurança e cuidado dos pacientes e de toda uma nação. E, assim como estes profissionais, as indústrias farmacêuticas também seguirão incansáveis na busca pela solução.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *