Antônio Britto publica artigo em portal especializado em política

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Portal Poder360 | Antônio Britto – Presidente do Conselho Consultivo da INTERFARMA

A péssima fase da elite brasileira ao dar declarações ganhou nesta semana uma lamentável contribuição do empresariado.

O presidente da CNI fez a gentileza de nos informar que os industriais não têm medo de Jair Bolsonaro. Até aí, tudo bem. Questão de preferência.

A argumentação para a repentina coragem empresarial, porém, revela uma perigosa avaliação sobre o País.

“Queremos um presidente que faça o Brasil se desenvolver” afirma o líder dos industriais em entrevista à Folha de S.Paulo.

O perigo, aqui, está no que não foi dito. Que desenvolvimento queremos? No período militar, batemos recordes de PIB e de infelicidade. Porque o Brasil não quer apenas desenvolvimento econômico, e, sim, desenvolvimento democrático, desenvolvimento ético, desenvolvimento civilizatório.

O candidato, seja qual for, antes da promessa de bons números na economia precisa se afirmar pelo compromisso democrático, pelo respeito à Constituição, pelo amor à liberdade, e, em nome dela, por uma profunda convicção em favor da diversidade, da divergência, do diálogo.

Sem isso, qualquer desenvolvimento é atraso. E qualquer apoio a esse tipo de proposta é uma lamentável, ainda que decorra de ato falho com as palavras, omissão diante do risco do atraso.

Uma segunda declaração, na mesma entrevista, ajuda a entender seu contexto e a ampliar a dificuldade em concordar com ela. “Precisamos em 2019 de um Presidente que tenha firmeza e autoridade”.

Não, não é do que precisamos. Presidentes no Brasil com firmeza e autoridade foram os generais, foi Collor, tentou ser Jânio. Nossos melhores presidentes rimaram com paciência, diálogo, mais preocupados em construir consensos com base na lei do que “demonstrar firmeza e autoridade” palavras que evocam no inconsciente coletivo desse País repressão, confisco, personalismo.

Para ser justo com o presidente da CNI, porém, é possível supor que ele, sempre considerado como respeitável, tenha se deixado contaminar pela infelicidade diária das declarações de nossa elite –dos Ministros do Supremo aos candidatos à Presidência.

Como não mudaremos de elite até outubro e não pretendemos o retorno à censura, talvez só acha um meio de sobrevivermos à falta de melhor e mais qualificada contribuição de nossos principais, teoricamente, líderes.

Fica a proposta: por que a elite brasileira não define como melhor forma de colaborar com o país, ao menos momentaneamente, um voto coletivo de silêncio?

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