Aumenta o número de remédios que podem ser comprados sem receita.
Para Sociedade Setor 04/08/2016

Aumenta o número de remédios que podem ser comprados sem receita.

G1 – Bom dia Brasil
A lista de remédios que podem ser comprados sem receita nas farmácias cresceu. Associações médicas alertam para a automedicação, mas a indústria de medicamentos afasta qualquer tipo de risco.
A Sociedade Brasileira de Clínica Médica diz que é preciso ter cuidado porque, às vezes, uma alergia pode ser um sintoma de algo mais grave. E se a pessoa toma um antialérgico, pode retardar o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento.
Nós, brasileiros, há muito tempo já fazemos fila na farmácia para comprar remédios, muitas vezes sem receita médica.
“Eu pego colírio sem receita, eu pego remédio de pressão, remédio de diabetes, tudo sem receita”, diz a recepcionista Marta Terezinha Luís.
Esse movimento deve aumentar ainda mais com a decisão da Anvisa, que definiu regras para liberar outros medicamentos da prescrição médica. “É provável que isso aumente porque as pessoas, elas vão buscar muito mais a drogaria”, disse a farmacêutica Marcela Oliveira.
As drogas que poderão ser liberadas devem obedecer a alguns critérios determinados pela Anvisa, entre eles: serem comercializadas há muito tempo; não devem apresentar relatos de efeitos colaterais; não podem ter potencial de dependência. “Se liberou, eu acho que sabem o que estão fazendo”, afirmou o comerciante César Zepelini.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antonio Carlos Lopes, a resolução da Anvisa induz à automedicação. “Um quadro em que o indivíduo se diagnostica como sendo de alergia, na realidade, pode não ser alergia, e passando o antialérgico, pode atenuar e retardar um diagnóstico até de uma doença mais grave, quando, na realidade, isso deveria passar por um médico para que tivesse o diagnóstico da doença e receber o tratamento adequado, que às vezes não tem nem medicamento, é só observação”, disse.
A Associação da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição acredita que a medida é segura. “Ele tem que ser seguro, ainda que eu faça mau uso dele, as reações adversas são reversíveis. O medicamento isento, ele é feito para você usar por um curto período de tempo, só para alívio dos seus sintomas menores, não desaparecendo os sintomas, tem que procurar um médico”, disse a vice-presidente da Associação, Marli Sileci.
Com a liberação da Anvisa, os laboratórios interessados podem pedir que alguns medicamentos sejam reenquadrados. Mas eles só vão ser liberados depois de uma análise.
A estimativa é de que cerca de 30 substâncias passem a ser vendidas sem prescrição.

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