Com alta do dólar, genéricos encarecem nas prateleiras
Setor 29/10/2015

Com alta do dólar, genéricos encarecem nas prateleiras

CBN
Por André Coelho
Comprar remédio genérico está mais caro. A diferença média entre eles e os medicamentos de marca caiu de 60%, no primeiro semestre, para 40%, em setembro. O levantamento é da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos. A aposentada Germilda de Barros, de 66 anos, sofre de problemas cardíacos e toma 17 remédios diferentes por dia. Seis deles são genéricos. Um deles, para controlar a pressão, era comprado por R$ 19,55 em julho, mas em setembro estava disponível por R$ 49,81, um aumento de 154%. Para dar conta deste e outros aumentos, vai precisar cortar outras despesas.
"Se eu for comprar tudo no mesmo mês, fica complicado. Como tá muito caro e você não tem como não comprar os remédios, a minha única escapatória é tirar em outras coisas, numa diversão, ou uma coisa melhor pra se comer. Porque tem que comprar!"
Por lei, o genérico deve custar no mínimo 35% a menos que as fórmulas patenteadas. Mas o dólar em alta aumentou o custo dos insumos das indústrias, que são importados, e o consumidor já sente a diferença no bolso. A moeda americana, que começou o ano na casa dos R$ 2,70, já é negociada a cerca de R$ 3,90. Para Telma Salles, presidente executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, a tendência para os próximos meses é de genéricos ainda mais caros, se aproximando do limite permitido pela lei.
"Se não tivermos uma reviravolta positiva na economia e se o dólar continuar subindo desse jeito…A gente precisa de conjunções positivas para a melhoria de qualquer cenário e, nesse momento, a gente não consegue vislumbrar essa conjunção positiva."
De acordo com Telma Salles, a venda de genéricos cresceu 10,7% no terceiro trimestre, resultado abaixo dos 15% esperados. Já para o economista Daniel Sousa, professor do Ibmec, o aumento dos preço dos remédios genéricos é inevitável. Ele diz acreditar que o cenário se agrave até o fim do ano mas que, a partir de 2016, a valorização do dólar deve ser menor, o que trará alívio aos consumidores.
"Acredito que no próximo ano, nós não tenhamos uma desvalorização cambial da mesma ordem que tivemos nos últimos 12 meses. Consequentemente, o impacto nos custos não será da mesma ordem, então é normal que haja uma certa acomodação do mercado, uma absorção dos custos e alguma normalidade seja restabelecida."
A professora aposentada Catarina Esteves tem 85 anos e gasta 600 reais por mês com seis remédios para controle da pressão e do colesterol. Ela conta que sentiu o aumento nos preços dos comprimidos similares e também começou a diminuir gastos para conseguir comprar os remédios no próximo mês.
"Dos remédios eu não posso abrir mão. Abriria mão de outras coisas, como roupa, até alimentação! Frutas você passa a substituir…água eu economizo o máximo que eu posso. Agora sem os remédios eu não posso ficar, de forma alguma!"
Diante do aumento da moeda americana, segundo a associação, as indústrias se preparam para tentar equilibrar as contas no ano que vem. Entre as principais medidas estão a revisão dos descontos nas prateleiras e da capacidade produtiva.
Ouça a entrevista aqui.

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