Covid-19 ocupa mais de 70% de UTIs públicas de São Paulo, segundo jornal

Covid-19 ocupa mais de 70% de UTIs públicas de São Paulo, segundo jornal

Folha de S.Paulo

Seis grandes hospitais públicos de São Paulo, dos quais cinco na capital, estão com a taxa de ocupação dos leitos de UTI em mais de 70%, o que mostra a pressão causada pela Covid-19 no sistema.

Até ontem, o estado tinha 11.043 casos e 778 mortes —altas de 18% e 12% sobre o dia anterior.

são paulo Seis grandes hospitais públicos, cinco na capital e um na Grande São Paulo, têm taxa de ocupação dos leitos de mais de 70%; quatro chegam a cerca de 80%.

Os números mostram a pressão exercida pela Covid-19 no sistema público de saúde, afirmou em entrevista à imprensa nesta quarta (15) o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus.

Todos os 30 leitos de UTI do Instituto Emílio Ribas estão ocupados. A taxa na enfermaria é de 83% de ocupação. O Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha tem 86% dos leitos ocupados na enfermaria e na UTI.

Os demais observados foram o Hospital Geral de Pedreira

(71% na enfermaria e 87% UTI), Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos (71% na enfermaria e 67% de UTI) e Hospital São Paulo (73% na enfermaria e 62% de UTI).

O Instituto Central do Hospital das Clínicas foi destinado exclusivamente ao tratamento da doença. Até as 13h desta quarta (15), 73% dos leitos de enfermaria e 83% da UTI estavam ocupados.

Estão sendo disponibilizados 900 leitos para São Paulo.

Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, os cálculos para criação de leitos foram feitos antes de a Covid-19 chegar ao país, o que se deu em fevereiro.

Por isso, o modelo era a China, onde a doença surgiu, mas que teve uma curva de contágio e morte mais controlada, por exemplo, que a dos países europeus, atingidos depois.

“Consideramos um tempo de permanência de 15 dias e, em função disso, a necessidade de leitos para quatro ou cinco meses da epidemia.”

“Estamos ao fim do segundo mês”, observou Germann, dizendo que foram planejadas duas reservas. “São 2.000 e poucos leitos de cada um, mas os da segunda reserva estamos aprontando e só entrarão se necessário, de acordo com o pico da doença.”

Caso a doença se estenda, será necessário pensar em leitos para julho, diz o secretário.

“Quando o indivíduo vai para o ambiente de terapia intensiva, fica em média 14 dias, quando caminha para a cura. Infelizmente, quando não evolui bem o tempo é maior, o que implica um resultado óbvio de permanência por mais tempo que o habitual de doente grave em UTI”, afirmou Uip.

Pelo segundo dia consecutivo, o estado de São Paulo apresentou pico de internações de confirmados para Covid-19, com mais de 2.300 pacientes assistidos em hospitais. Deles, 1.132 estão em leitos de UTI e 1.200 em enfermarias.

O estado de São Paulo tem hoje 11.043 casos de Covid-19 com 778 mortes —aumento de 18% no número de confirmações e de 12% no de mortes em relação ao dia anterior. Dos mortos, 463 são homens e 315, mulheres.

Na capital, foram confirmados 7.764 casos de Covid-19, com 558 óbitos. São Paulo tem 199 municípios com confirmações e 78 com registro de mortes, espalhados pelo estado.

Uip reiterou a necessidade do distanciamento social para achatar a curva de crescimento da doença e distribuir os casos ao longo dos próximos meses, uma vez que já pode ser verificado um avanço da contaminação para o interior e o litoral. Além disso, afirmou que podem faltar insumos, estrutura física e equipe multidisciplinar.

Pelo segundo dia consecutivo, a taxa de isolamento social ficou em 50%, considerada abaixo do ideal.

“Vejo de vez em quando em notícias que vocês não conseguem prever o pico com exatidão. Isso é boa notícia. Significa que estamos conseguindo alargar e achatar a curva. Quanto mais diluída essa curva for, melhor para o sistema de saúde. Agora, no pico, estaremos diante de uma montanha ou do Everest”, disse Uip.

No início de maio, deve ser entregue o hospital de campanha do Ibirapuera, que está sendo construído na pista de atletismo do complexo esportivo. Segundo Germann, 80% das obras estão concluídas.

A expectativa é que os 240 leitos de baixa complexidade e os 28 de estabilização entrem em operação no dia 1º de maio. No local, 800 profissionais de saúde darão atendimento à população.

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