Deputado do DEM é confirmado no Ministério da Saúde

Deputado do DEM é confirmado no Ministério da Saúde

Valor Econômico | De Brasília
Jornalistas: Andrea Jubé, Carla Araújo, Marcelo Ribeiro, Fábio Murakawa, Ribamar Oliveira, tentando Exman, Fabio Graner, Juliano Basile e Fábio Pupo

Tão logo foi confirmado como ministro da Saúde pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, o ortopedista e deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) expôs suas criticas à participação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos. “Os critérios, à época, me pareciam ser muito mais de um convênio entre Cuba e o FF e não entre Cuba e Brasil”, disse ele. O programa foi lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff. Mandetta sempre foi contrário à atuação dos médicos cubanos sem o processo de revalidação do diploma (Revalida). Ontem ele indicou, embora de maneira vaga, que uma forma de fazer o Revalida seria avaliar os médicos em serviço. Adiantou, também, que pretende analisar como certificar os médicos com diplomas estrangeiros. Há cerca de 100 mil médicos brasileiros formados no Paraguai e na Bolívia.

Bolsonaro disse que a escolha do deputado para comandar a Saúde foi de entidades do setor e da bancada da saúde no Congresso e não do DEM, partido que tem confirmados três ministros para o próximo governo. Além de Mandetta, o DEM será representado por Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Tereza Cristina (Agricultura).

O presidente eleito falou também sobre a situação do Mais Médicos, que terá o êxodo de mais de 8 mil médicos cubanos depois que Havana resolveu deixar o convênio por discordar de criticas de Bolsonaro.

Segundo ele, para que profissionais cubanos pudessem continuar atuando aqui, eles deveriam ter a possibilidade de trazer a família para o país e de receber o salário integral pago pelo governo brasileiro. Hoje dos R$ 11 mil dedicados ao profissional, apenas R$ 3 mil ficam com o médico. O restante é repassado diretamente ao governo cubano.

O presidente eleito comentou, ainda, a investigação de Mandetta por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois relativa ao período em que ele foi secretário de Saúde em Campo Grande. “Tinha uma só investigação que é de 2009 se não me engano. Nem é réu ainda. O que está acertado entre nós? Qualquer denúncia ou acusação que vire robusta e ele não fará parte de nosso governo”, disse.

Ontem o futuro ministro da Justiça Sérgio Moro confirmou o delegado Maurício Valeixo como o diretor-geral da Polícia Federal no governo Bolsonaro. Ele informou, também, que Erika Marena foi indicada para assumir o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI).

Superintendente da Polícia Federal do Paraná durante parte das investigações da Lava-Jato, Valeixo terá, segundo Moro, “a missão de fortalecer a Polícia Federal” para que a instituição possa direcionar suas investigações, principalmente com foco no combate à corrupção e ao crime organizado.

Apontada por Moro como “talvez a maior especialista no Brasil em cooperação jurídica internacional”, Erika assumirá o comando do DRCI com o objetivo de fortalecer “a cooperação jurídica internacional e o próprio DRCI, que é uma área estratégica”.

Questionado sobre a atuação de Erika na Operação Ouvidos Moucos, que ficou marcada por ter feito o pedido de prisão do então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier, que se suicidou menos de três semanas após ser preso, Moro disse que “foi uma tragédia, algo trágico e toda a solidariedade aos familiares do reitor, mas foi um infortúnio imprevisto na investigação. A delegada não tem responsabilidade”.

Além dos nomes confirmados para o novo governo, há outros que estão em cogitação para ocupar cargos relevantes na administração federal. O economista Pedro Guimarães, sócio do banco Brasil Plural, é um dos cogitados para presidir a Caixa. Outro nome cotado é o do economista Rubem Novaes, que já foi diretor do BNDES e presidente do Sebrae e faz parte da equipe de transição de Paulo Guedes no Centro Cultural Banco do Brasil.

A atual secretária-executiva do ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, estava entre os cotados para o cargo, mas sua possível nomeação ficou mais distante. Segundo uma fonte, Guedes quer ver “brilho nos olhos” das pessoas que estão sendo sondadas por ele para cargos estratégicos do próximo governo.

Já a definição do futuro titular do Ministério do Meio Ambiente tornou-se um problema para o presidente eleito. Os ruralistas defendem a nomeação de alguém ligado ao setor para a pasta e o nome de Evaristo de Miranda está sendo articulado pelo senador e atual ministro da área, Blairo Maggi. Miranda é pesquisador e chefe da Embrapa Territorial, mas enfrenta forte resistência dos militares que integram a equipe de transição. Segundo o Valor apurou, os militares entendem que a indicação de Miranda jogaria fora o plano ambiental elaborado durante a campanha do então candidato do PSL à Presidência da República. Alguns militares chegaram a sinalizar que ficariam fora do governo se essa nomeação for confirmada.

Os militares consideram importante acabar com o que chamam de “indústria da multa” e agilizar a concessão de licenças ambientais, mas defendem que o governo adote uma política de preservação e o uso racional do solo.

O futuro ministro Onyx Lorenzoni já escolheu o economista Abraham Weintraub, da equipe de transição, para trabalhar na Casa Civil, devendo ocupar a secretaria- executiva.

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