Estudo aponta inconsistência na medição de custos da Saúde

Estudo aponta inconsistência na medição de custos da Saúde

Reportagem do Portal Hospitais Brasil, especializado no setor, dá destaque ao estudo sobre Custos da Saúde, produzido em parceria entre INTERFARMA e Anahp

Título: Estudo aponta inconsistência na medição de custos da Saúde

Portal Hospitais Brasil

Há imprecisão em conceitos como “inflação médica” e “custos da saúde”, o que dificulta a compreensão da responsabilidade de todos elos da cadeia. Esta é umas das principais conclusões de “Custos da Saúde – fatos e interpretações”, estudo realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) em parceria com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (INTERFARMA).

O documento, lançado na segunda-feira (2), tem o objetivo de contribuir com a discussão acerca dos custos do setor ao detalhar o papel de cada ente, além de esmiuçar um dos principais equívocos no debate público: inflação médica não é o mesmo que custos da saúde.

O primeiro conceito se refere à variação média de preços de uma cesta de bens e serviços e não abrange a frequência do uso. Já os custos de saúde consideram não apenas a variação de preços como também a variação da quantidade consumida. Ou seja, é possível ter um aumento de custos mesmo com preços constantes, pois ele reflete o crescimento da utilização de produtos e serviços de saúde.

Outro fator explicado é de que a Variação de Custos Médico-hospitalares – VCMH não deveria ser sinônimo de inflação médica. Na verdade, o VCMH, conforme medido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), analisa uma amostra de planos individuais que corresponde apenas a cerca de 2% dos planos de saúde brasileiros. Este índice não considera, por exemplo, as variações de custos em contratos coletivos, que são a grande maioria (80%) dos planos e seguros de saúde.

“O estudo tem o objetivo de ajudar a compreender melhor os custos da cadeia de saúde como um todo e colaborar com um debate mais transparente. Precisamos entender o sistema como um todo e promover um sistema mais eficiente e sustentável”, analisa Francisco Balestrin, presidente do Conselho da Anahp. “Temos grandes desafios como o envelhecimento da população e o aumento da incidência de doenças crônicas. Para enfrentá-los são necessárias estratégias de prevenção e a gestão eficiente do paciente, além dos muros do hospital”, completa.

Outro ponto detalhado no documento é sobre a participação dos medicamentos na composição dos custos da saúde. De acordo com dados da INTERFARMA, a premissa de que os medicamentos seriam responsáveis pelo aumento dos custos da saúde não é verdadeira, pois o mercado farmacêutico institucional (hospitais e clínicas privadas) movimentou R$ 5,3 bilho?es em 2016, o que representou só 3,3% do total das receitas de contraprestações dos planos de saúde.

“Há uma evidente crise no sistema por meio do qual os diversos segmentos da saúde se remuneram. O formato atual está esgotado e para sairmos dele precisamos dialogar e agir como cadeia, em vez de simplesmente atribuir a culpa aos outros ou pensar em buscar soluções que sirvam apenas a um dos segmentos”, afirma Antônio Britto, presidente-executivo da INTERFARMA.

Nesse sentido, “Custos da Saúde – fatos e interpretações” sugere medidas para todos os elos da cadeia. Para as operadoras e seguradoras de saúde, por exemplo, uma das recomendações é o investimento constante na gestão da carteira de beneficiários, o que incluem ações de prevenção e monitoramento constante dos crônicos; além de orientação adequada quanto ao uso do plano de saúde. Outra medida sugerida pelo estudo é que a indústria de saúde não deixe de oferecer tecnologias que comprovadamente melhoram os resultados clínicos de pacientes. Porém, é preciso uma análise do custo-benefício adequado.

Por trás dos índices

O estudo também esclarece de forma didática algumas medidas e índices utilizados no setor. Veja abaixo:

O VCMH (Variação de Custos Médico-hospitalares) mede a “inflação da saúde”?

Não. Inflação é uma medida de variação de preços, enquanto o VCMH é uma medida de variação de custos, ou seja, além de preços o VCMH leva em consideração a variação da frequência do uso do plano de saúde.

O que é o IPCA? É verdade que a inflação da saúde supera esse índice?

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a medida oficial de inflação do País. Nos últimos 5 anos, enquanto o IPCA subiu 38,8%, os preços dos bens e serviços do grupo Saúde e cuidados pessoais subiram, em média, 47,8%, ou seja, a inflação da saúde superou o índice em questão. Entre os subitens que compõem o grupo, o plano de saúde foi um dos que registraram a maior alta de preços (67,9%). Entretanto, o aumento médio dos preços do setor de saúde é inferior ao reajuste máximo dos planos de saúde, autorizado pela ANS.

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