Laboratórios atuam com hubs de inovação

Laboratórios atuam com hubs de inovação

Valor Econômico

Os grandes laboratórios privados de medicina diagnóstica com capital aberto têm aumentado os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e atuam como hubs de inovação.

O Grupo Fleury, que já contava com uma equipe dedicada às pesquisas desde 2004, consolidou o Fleury Lab no início do ano passado. É uma estrutura mais robusta para o desenvolvimento de soluções, que já recebeu mais de R$ 30 milhões em investimentos.

Está dividida em um time interno de P&D formado por 40 cientistas, que mantém parcerias com universidades e outros centros de pesquisa; uma área de produtos digitais com mais de 50 colaboradores e um núcleo de novos negócios, que faz a gestão de programas de inovação aberta.

“Valorizamos a geração de conhecimentos na área biomédica, desde artigos científicos publicados até patentes, novos produtos e serviços para o nosso portfólio”, ressalta Edgar Rizzatti, diretor-executivo do setor médico e técnico do Grupo Fleury. No ano passado, foram 160 produtos implantados. Entre as novidades, muitas estão na área de investigações genéticas. Por exemplo, o teste Oncofoco faz sequenciamento do DNA de tecidos tumorais e usa a ferramenta de computação cognitiva Watson da IBM para identificar as drogas e os tratamentos mais eficientes com base no perfil do paciente.

há uma hora Suplementos Na Dasa, os investimentos em P&D representam cerca de 4% da sua receita líquida anual. “A inovação é responsabilidade de todas as lideranças da empresa, assim, todos os diretores têm budget de P&D”, diz Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa. Ele ressalta que a empresa conta com três centros de excelência para projetos – a GeneOne, laboratório de genética médica; o Dasa Exp, de inovações tecnológicas no atendimento e o DasAInova, que é focado em inteligência artificial, machine learning e big data.

No ano passado, a Dasa lançou o projeto DNA Brasil, uma parceria público-privada, que está sequenciando o DNA de 15 mil brasileiros dentro da GeneOne. Entre os avanços, a Dasa identificou novas mutações nos genes BRCA 1 e 2 em mulheres brasileiras que estão associadas ao risco aumentado de câncer de mama e que não estavam descritas.

“O resultado dessa pesquisa gerou, na prática, mais acuracidade nos testes para detectar câncer de mama”, comenta o executivo. A empresa também desenvolveu um raio X com inteligência artificial que identifica automaticamente a idade óssea, facilitando o acompanhamento do crescimento.

No Grupo Hermes Pardini, o investimento em P&D foi de 5% da receita líquida em 2019, contra 4% em 2018. No ano passado, foram desenvolvidos 60 projetos.

Atualmente, há 39 projetos de pesquisas em andamento. “Temos aumentado o nosso mix de exames especializados, não apenas de básicos, criando novas demandas, mais pacientes atendidos, o que contribui para a sustentabilidade do negócio”, diz Alessandro Ferreira, vice-presidente do Hermes Pardini.

Segundo ele, desde sua criação, a inovação faz parte da estratégia, mas a partir de 2011, houve uma estruturação dessa vertente em um setor de P&D e outro de novos negócios com mais de duas dezenas de pesquisadores, seguindo um conceito aberto, com conexão com centros de pesquisas, startups e um canal para recebimento de ideias dos colaboradores.

Uma das inovações implementadas pelo laboratório Hermes Pardini é a biópsia líquida para sequenciamento genético no caso de alguns tipos de câncer como cerebral, de pulmão, de fígado e de mama. Esse método não é invasivo, pois não extrai tecido do paciente, a análise é feita em amostra de sangue, pois o tumor libera fragmentos de DNA na corrente sanguínea. Esse teste permite o diagnóstico antes mesmo dos primeiros sintomas da doença.