Pacientes relatam à Folha de S.Paulo acesso mais difícil a medicamentos
Para Sociedade Setor 20/11/2017

Pacientes relatam à Folha de S.Paulo acesso mais difícil a medicamentos

Folha de S.Paulo

Pacientes que utilizam o Farmácia Popular afirmam terem sido pegos de surpresa com o fechamento das unidades próprias do programa e relatam dificuldades de acesso a medicamentos no SUS.

No Distrito Federal, a única unidade da rede própria que ainda havia do programa, em Sobradinho, foi fechada em agosto. Restou um aviso em papel, que comunica o “encerramento das atividades da Farmácia Popular do Brasil”.

Foi com ele que se deparou o aposentado José Aparecido dos Santos,que buscava no local medicamentos para diabetes,hipertensão, entre outros.

“Simplesmente cheguei aqui e estava fechada.” Desde então, usuários como ele se queixam da falta de informações sobre o fechamento e sobre onde ainda é possível retirar medicamentos antes disponíveis na rede.

O maior impasse é ofato de a lista de remédios ser menor nas redes particulares credenciada são Farmácia Popular em relação ao que era disponibilizado nas unidades próprias —enquanto a primeira tem 32, a anterior disponibilizava 112.

O Ministério da Saúde afirma que todos os remédios que eram distribuídos nas unidades próprias também estão disponíveis no SUS.

Na prática,há reclamações. Santos, por exemplo,relata que, após o fechamento, nem sempre encontra o que precisa no posto de saúde. “Agora tenho que ir no posto, e quando não tem,tem que comprar”, diz.

Funcionários de unidades de saúde do DF ouvidos pela Folha confirmam casos de falta de alguns medicamentos, sobretudo dos mais indicados,como omeprazol (para problemas de estômago) e sinvastatina (para reduzir níveis de colesterol).

Questionado,o Ministério da Saúde afirma que direcionou todos os R$100 milhões antes gastos com as unidades próprias do Farmácia Popular para aumentar a oferta de medicamentos na rede pública.

A pasta atribui o fechamento ao fato de que só 20% dos cerca de R$ 100 milhões gastos com essas unidades era para compra e distribuição de remédios. O restante era para custos operacionais.

Sobre os relatos de falta de medicamentos, afirma que o monitoramento das unidades cabe aos municípios.

Em nota,a secretaria de saúde do Distrito Federal informa que trabalha para manter os estoques abastecidos, mas admite que pode haver “faltas pontuais” de alguns medicamentos na rede.

Questionada, a pasta diz ainda que já foi possível observar um aumento recente na demanda por remédios básicos nas unidades de saúde após o fechamento da Farmácia Popular.

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