Painel S.A: Remédio controlado

Painel S.A: Remédio controlado

Folha de S.Paulo

Joana Cunha

O corrida pela hidroxicloroquina, turbinada por Bolsonaro na pandemia, não foi lucrativa para a EMS, que fabrica o produto, segundo Marcus Sanchez, acionista e vice-presidente da farmacêutica. A empresa teve de dobrar a produção do remédio, que era só um nicho, para tratamentos como lúpus e malária, além de criar um canal para atender esses pacientes quando esgotou nas farmácias. Mas o preço da matéria prima subiu 400%, tornando a produto “economicamente inviável”.

Tarja?

“Não é um produto que hoje traz rentabilidade. É só para atender a população?“, diz. Sanchez fala com cautela do remédio, que deu polêmica na pandemia. A EMS participa de estudos que podem trazer os primeiros resultados em 30 dias, mas ressalva que ainda não há respostas sobre a eficácia contra a Covid-19.

Prazo?

O setor tem outros desafios, como o câmbio, o frete e a alta nos insumos por restrições na China e na Índia. A decisão de Bolsonaro de postergar por 60 dias o reajuste anual de todos os remédios também achatou a rentabilidade.

Receita?

Embora seja mais resistente a crises do que outros mercados, o setor também sente, segundo Sanchez, que já fala em redução de 15% em sua demanda total.

Bula?

Ele afirma que a indústria foi bem no primeiro trimestre e houve corrida às farmácias para antecipar compras, além da disparada de álcool em gel e vitaminas. Mas se o paciente comprou remédio de uso contínuo para estocar, a venda cai pelos próximos meses. “Ninguém vai tomar o medicamento duas vezes”, diz o executivo.

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