Procura maior por genéricos
Para Sociedade Setor 19/06/2018

Procura maior por genéricos

Valor Econômico

O balanço do preço de compra da farmácia (PPP), divulgado pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma), mostra que as vendas nos remédios estão em alta, passando de R$ 4,7 bilhões em janeiro para RS 5,1 bilhões em abril deste ano, aumento de 8,5%. Mas as vendas dos genéricos, que são em média 60% mais baratos, estão registrando crescimento maior: de RS 627,4 milhões para RS 690,4 milhões no mesmo período, avanço de 10%.

A expectativa da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) é de que as vendas do setor, de produtos em geral, cresçam mais de 10% neste ano. “A aposta é na boa gestão de estoques, para evitar a falta de produtos nas prateleiras e capturar as vendas de farmácias menores em função da melhor eficiência”, diz o presidente- executivo da entidade, Sérgio Mena Barreto. Em relação apenas aos medicamentos éesperado um crescimento entre 9% e 10%.

No balanço de 2017 da Abrafarma, com dados da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP), as 26 redes de farmácias afiliadas à entidade movimentaram R$ 44,4 bilhões, aumento de 8,9% sobre 2016, o que se deve, principalmente, ao investimento em logística e distribuição e à abertura de novas lojas, de acordo com Barreto. Entretanto, a alta de 8,9% é a menor desde 2012, quando os RS 25 bilhões de faturamento representavam mais de 16,1% ante o ano anterior. Quanto ao total de lojas, as associadas fecharam o ano passado com 7240 unidades, ante as 6.763 de 2016. Até março deste ano, havia 7.081 unidades.

A RaiaDrogasil encerrou o primeiro trimestre de 2018 com 1.651 unidades em operação e abriu 44 lojas nos primeiros três meses do ano, tendo fechado três. Embora não divulgue uma perspectiva de vendas consolidada até dezembro, a empresa estima ter240 aberturas de unidades por ano para 2018 e 2019. Apesar da perspectiva otimista, o lucro líquido da companhia, que ficou em RS 121,3 milhões entre janeiro e março deste ano, vem desacelerando desde o segundo trimestre de 2017.

“Estamos vendo uma realidade de mercado hoje com uma desaceleração que acaba afetando o setor como um todo, mas, olhando para nossa performance recente, seguimos crescendo na abertura de lojas. Conseguimos, mesmo em um cenário mais difícil de venda, manter nossa margem equilibrada”, diz Eugênio De Zagottis, vice-presidente de relações com investidores e planejamento da RaiaDrogasil.

Entre as iniciativas do grupo estão dois tipos de vacina contra a gripe em unidades da Drogasil e Droga Raia em São Paulo e Florianópolis com preço 32% menor do que o encontrado em clínicas e laboratórios. A empresa anunciou o lançamento da Caretech, linha de aparelhos digitais de saúde para controle diário de peso, que conta com balança digital, termômetro digital e infravermelho, além de medidores de pressão e umi- dificadores de ar.

A Drogaria Onofre também ampliou sua oferta de serviços de saúde por meio da Onofre Clinic, setor especializado em assistência farmacêutica, que está em 25 unidades da rede desde o início do ano. Em abril, passou a oferecer vacinas contra a gripe, HPV e Tríplice Virai. A empresa encerrou o ano passado com 42 drogarias em três Estados (SP, RJ e MG). Até o fim de 2018, espera instalar de dez a 15 lojas em locais estratégicos da região Sudeste.

Segundo Eduardo Mangione, diretor de marketing e responsável pelas áreas de e-commerce, televen- das, SAC e visual merchandising da Onofre, é esperado aumento nas vendas, embora ele não divulgue números. “Medicamento é um item essencial, que as pessoas não deixam de comprar por questão de necessidade. Ninguém abre mão de cuidar da saúde, mas o principal desafio nesse sentido é oferecer um preço competitivo, com um serviço que agregue valor real ao cliente.” As vendas on-line, afirma Mangione, representam 50% do faturamento da empresa.

Se, por um lado, é preciso oferecer um preço competitivo a quem compra remédios, por outro, há os efeitos de reajustes menores autorizados pelo governo para os medicamentos, de até 2,84% em 2018, o menor percentual nos últimos 11 anos. Houve ainda alteração nas regras de repasse de 22 remédios distribuídos pelo Programa Farmácia Popular (ver matéria sobre o assunto). “Essa medida, infelizmente, terá maior impacto para os consumidores, que necessitam dos medicamentos e não terão subsídio para seu tratamento”, avalia Luiz Renato Novais, diretor-financeiro das Farmácias Pague Menos.

A Pague Menos reduziu de 200 para 180 a previsão de abertura de lojas para este ano e de R$ 250 milhões para R$ 212 milhões os investimentos. A estimativa para as vendas é que haja aumento em 9%, acompanhando as expectativas da Abrafarma. Embora avalie o cenário como positivo, Novais acredita que a preferência por genéricos deve manter-se. “Com a manutenção dos altos índices de desemprego, os consumidores vão continuar buscando produtos mais baratos. Nesse sentido, os genéricos vão continuar crescendo.”

Pelo balanço do primeiro trimestre do ano da Pague Menos, houve uma, no mês de março, de 40% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, segundo Novais, “a venda de medicamentos em geral segue crescendo, e o desafio tem sido o permanente e relevante acréscimo na quantidade de aberturas de lojas das grandes redes.” Neste ano, o objetivo da Pague Menos é aumentar a disponibilidade e sortimento de produtos, otimizar a operação das lojas, alavancara experiência digital e aprimorar as estruturas físicas de lojas e centros de distribuição.

Para Edison Tamascia, presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), o momento atual do mercado farmacêutico é de uma “crise que não afeta quem tem planejamento”. Ele comemora o registro de crescimento de 21,5% no acumuladode 12 meses até abril em relação ao mesmo período anterior. O percentual de crescimento dos genéricos, porém, supera o índice geral (que não inclui apenas medicamentos), com alta de 36,9%.

A Febrafar conta, atualmente, com 57 redes, que representam mais de 9,5 mil farmácias em todo o país. O destaque entre as associadas é a administradora de redes farmacêuticas Farmacas, que, entre abril de 2017 e abril deste ano, faturou R$1,6 bilhão, 50,2% acima do mesmo período do ano anterior. “Hoje temos, além de equipe comercial, uma área de inteligência e tecnologia que fornece sistemas como o gerenciamento de programas de fidelidade e outro para coleta e análise de indicadores, possibilitando decisões estratégicas para redes e lojas”, afirma Tamascia.

Visando melhorar a assistência em saúde que os clientes oferecem aos empregados, a Ticket, que atua na área de benefícios de refeição e alimentação da Edenred Brasil, conta com 40 mil farmácias credenciadas no país para empregados usuários do cartão Ticket Plus, uma solução multiconvênio de adiantamento salarial. Essas unidades parceiras oferecem descontos de até 60% em medicamentos, genéricos e similares e cobrem mais de 90% das prescrições médicas.

OTicket Plus conta hoje com mais de um milhão de usuários e, além das redes de farmácias, pode ser utilizado em serviços médicos e laboratoriais da Clínica Fares e na Labi Exames. “Nos últimos anos, a inflação dos planos de saúde subiu muito, e as empresas passaram a gastar entre 11% e 12% da folha de pagamento com seguro saúde, de acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Nesse cenário, tivemos a iniciativa de oferecer novas equações para compor a assistência em saúde e ampliamos os benefícios aos usuários dos cartões Ticket Plus, com serviços a preços acessíveis”, diz a diretora- geral da Ticket, Marília Rocca.

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