Saúde é apontada como maior problema
Setor 26/07/2013

Saúde é apontada como maior problema

O Globo
Presentes na maioria das manifestações de rua, as cobranças por melhorias na Saúde, na Educação e no combate à violência e à corrupção foram reafirmadas como as principais preocupações da sociedade na pesquisa CNIIbope divulgada ontem, que aponta essas áreas como as mais mal avaliadas no governo.
De acordo com o levantamento, 71% dos entrevistados avaliaram que o pior desempenho do governo Dilma Rousseff está na área de Saúde, e que as respostas dadas pela presidente às reivindicações, como o lançamento do programa Mais Médicos, ainda estão aquém da expectativa: 31% deram nota zero às respostas do governo federal à crise e, na média, a presidente obteve nota 4, numa escala de zero a dez.
Mesmo baixa, a nota média de Dilma é maior que as dadas aos governadores, prefeitos e parlamentares. A tentativa de votação da chamada agenda positiva e a derrubada de propostas polêmicas, como a PEC 37, que tirava o poder de investigação do Ministério Público, não tiveram repercussão na sociedade. A Câmara dos Deputados recebeu nota média 2,8, e o Senado, 3.
O levantamento mostrou que, depois da Saúde, o pior desempenho do governo Dilma está nas ações relacionadas à Segurança Pública/violência (40%), seguida de Educação (37%). A presidente Dilma, que chegou a ser elogiada pela “faxina” que afastou ministros suspeitos de corrupção, começa a ser cobrada também nesta área: o combate à corrupção aparece como o quarto pior desempenho, apontado por 21% dos consultados.
HABITAÇÃO É PONTO POSITIVO
O programa Minha Casa Minha Vida repercute positivamente na população, já que habitação é a área com melhor desempenho do governo Dilma, indicada por 28%. As ações de combate à fome e à miséria foram apontadas por 23% dos entrevistados.
O professor Fernando Antonio Azevedo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), analisou a avaliação das áreas de atuação do governo Dilma: — No caso da má avaliação de Saúde, isso vem de muito tempo.
Nas áreas avaliadas positivamente, tem muito a ver com a propaganda do governo, com os dados da política habitacional e as políticas sociais, que são carroschefe desde o governo Lula.
Ao avaliar a qualidade dos serviços públicos, o Ibope listou 13 tipos, dos quais nove foram muito mal avaliados, puxados pelas áreas de Saúde e Segurança: 87% dos entrevistados consideraram muito baixa ou baixa a qualidade dos serviços de postos de saúde e hospitais públicos e também a segurança pública; 73% disseram que o transporte público, que puxou as manifestações populares, tem baixa ou muito baixa qualidade. O serviço público mais bem avaliado é o dos Correios, com 25% de aprovação alta ou muito alta.
De acordo com o levantamento, apenas 9% dos entrevistados participaram dos protestos, mas 89% são favoráveis a eles e 34% pretendem participar de novas manifestações. O principal motivo alegado para ir às ruas é a defesa de mais investimentos em Saúde, segundo 43% dos entrevistados. O combate à corrupção aparece como segundo motivo, apontado por 35% dos entrevistados.
A reforma política, uma das principais respostas da presidente Dilma às manifestações, não mobilizou os entrevistados, com apenas 8% deles fazendo referência a essa iniciativa. A defesa da presidente e do PT por um plebiscito para modificar o sistema eleitoral e político foi lembrada por apenas 5% dos entrevistados.
(Isabel Braga, Flavia Pierry e Juliana Castro)

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